PRA QUE EU SIRVO?
Não leia, minha vida não vale o seu tempo.
Válido até dezesseis de julho de dois mil e trinta e um, talvez antes, depende do desgaste por uso indevido. O que é isso, me pergunta. É meu prazo de validade, a resposta.
Se vou morrer esse dia, não, antes fosse, a morte seria a solução do problema mas eu não sou bom com soluções, sou bom em criar mais problemas. Perito, mestre e doutor.
Essa data é o prazo de validade final do fio de algodão doce que segura um relacionamento que eu destruí. Pra falar a verdade se durar esses dez anos é uma prova da existência de Deus porque a explicação é puro milagre.
Aos poucos fui destruindo minha última chance concreta de não ser sozinho, e o pior de tudo é que eu já tinha me acostumado e agora a lembrança daquela sensação me assusta. Não sirvo pra nada. Deve ser por isso que quero viver pra sempre, a única coisa que eu sei fazer bem e nunca estrago é ser sozinho. Pra que eu sirvo?
Nunca reparei em nada, nunca prestei atenção em nada, nunca disse nada. Pra que eu sirvo?
"Life is circle" essa merda repete na minha cabeça desde o primeiro dia que eu ouvi naquela série. Minha vida é um ciclo vicioso do fracasso e essa é a única coisa que eu sou bom. Pra que eu sirvo?
O que me irrita é o padrão, não a repetição do resultado. O padrão da cereja do bolo, ou torta, que voa na minha cara na comédia que é minha vida. Sempre o mesmo tipo de bundão, boca mole, isentinho, em cima do muro, com papo frouxo e cheio de firula, amiguxo da vizinhança. O filho que todo mundo sempre pediu a Deus, o irmão modelo, o primo exemplo, a pessoa correta, o pai herói, o namorado perfeito. Absolutamente o oposto a mim, o exemplo de como não ser, a pessoa ruim, mimada, estressada, infeliz, vil, má, ruim, grosso, arrogante, depravado, tarado, burro, estagnado, parado, perturbado, amargurado, rancoroso. Pra que eu sirvo?
Eu sinto pena do meu filho, se espelhar em um ninguém. Melhor seria se eu só sumisse, morresse, deixasse de existir. Substituir algo igual a mim só precisaria achar uma cobra sem dente. Seria a mesma coisa. Eu não sirvo pra nada.
Eu não sirvo pra nada.
Nunca termino nada.
Não tenho nada.
Destruo tudo.
Meu castigo é existir.
Meu castigo é viver comigo mesmo pra sempre sem poder ir embora nunca.
Meu castigo é assistir preso, sem poder de escolha, minha autodestruição infinita e infinitamente.
Pra que eu sirvo?
Pra que eu sirvo?
Pra que eu sirvo?
Pra que eu sirvo?
Nada.
Coitadista, talvez eu seja. O que me resta? Se eu destruo tudo, e posso provar. Eu não sirvo pra nada.
Eu devia simplesmente acabar comigo mesmo. Seria um prêmio de consolação e participação. Uma última humilhação pra uma existência desnecessária.
Seria a única benfeitoria minha pra qualquer um próximo de mim, um alforria de uma vida escrava de um constante martírio de lidar comigo. Seria o melhor presente que eu poderia dar ao meu filho, não ter que se rebaixar e dizer que é meu filho.
Pra que eu sirvo?
Nada.
Dispensável, substituível, esquecido. Não sirvo pra nada.
Em devaneios, perdido em minha arrogância, sonho que um dia terei importância. Um passatempo pro cérebro, uma válvula de escape da realidade que nunca falha.
Não adianta nada, vou me autodestruir, ser esquecido e sofrer até desejar estar morto, um sofrimento lento e imperceptível, de quem já se acostumou com esse ciclo, mas não morrer porque seria fácil demais.
Morrer é prêmio, vitória, algo que eu não mereço. Se eu morrer, quanto tempo até esquecerem que eu existi? O efeito inicial de boas-maneiras não conta, depois de quanto tempo a indiferença surgiria?
Não culpo ninguém.
Não culpo ela de nada.
No lugar dela eu me largava.
Eu, se pudesse, já teria me deixado.
Pra que eu sirvo?
Inútil de merda, só começa e nunca termina. Covarde, fraco, medíocre. Esse complexo de deus ridículo pra camuflar uma inaptidão existencial. Pra que você serve?
Nada do que você fizer vai dar certo, se der será irrelevante. Nem desistir consegue.
Existência pífia, fajuta, insossa, desnecessária. Não vale o tempo gasto de ninguém.
Peso morto, descartável, obsoleto.
Muito me surpreende sua prepotência ao achar que vai durar tanto. Um ano, menos, que importa a data. Sua vida desprezível é uma piada sem graça, achar que tem controle de alguma coisa é cômico. Seria triste se você tivesse importância, raça inferior imunda.*
Pra que eu sirvo?
Não existe possibilidade de me deixar, é o que diz. Porque o príncipe vai ficar sem os filhos.
Crianças crescem.
Não existe possibilidade de me deixar, é que diz. Porque o príncipe é cobiçado pela ex-agraciada pela honra de ser a mulher mais feliz do planeta, namorada do nobre.
Pessoas morrem, existem cinco mil cidades no país, vinte e tantos estados, x continentes, n países.
Não existe a possibilidade…
Não existe a…
Não existe…
Existe.
Sempre existe e sempre vai.
É tempo, é causalidade. É uma imensa sorte minha de nada dar certo porque eu estrago tudo.
Não vou tirar seu filho de você.
Please.
Não a culpo se fizer.
Não a culpo se for.
A culpa é minha.
Até porque, é pra lá que vai quando estamos juntos, se é que preciso explicar mais. Até nisso deve ser melhor, especial. Deve ser mais amorzinho, delicado, carinhoso, gentil ou só não sou eu mesmo. Pra que eu sirvo?
Nunca consegui por ninguém na friendzone, quem sou eu pra fazer isso, não sou ninguém, não sou nada, não sirvo pra nada, talvez essa seja a chave do sucesso, santo Graal, a equação anti-vida, a pergunta pra resposta 42.
Ser um pseudo-padre celibatário que fala coisas lindas e poéticas, compreensivo, polido e educado, amar todas as criaturas debaixo do firmamento com um grande amor fraterno. [Quase chorei]
Deve ser por isso que sou um fracasso total, porque eu não sei ser fofo, nunca consegui. Ainda tenho tempo pra aprender, quando conseguir vai ser irrelevante, como é minha existência. Não sirvo pra nada.
Cada dia é um dia a mais atrasando o inevitável. Deve ser assim que se sente um animal prestes a morrer. Finge que vive aguardando o fim, no caso meu fim não é a morte, antes fosse, meu fim é um interminável ciclo de desprazeres causados por tudo que eu toco.
Eu estou ficando sozinho de novo, de novo, de novo, infindavelmente.
Alguém ficaria triste em me ver em coma? Alguém diria, com sinceridade, que eu não sou um nada? Por educação talvez, regras sociais impedem pessoas de falar a verdade em algumas situações. Depois que morre todo mundo vira santo, depois que morre todo mundo é seu amigo. Por isso que eu sou incapaz de morrer, eu existo pra ficar sem ninguém. Pra que eu sirvo?
Nada.
Só faço as pessoas sofrerem, só faço as pessoas tristes. Eu tiro a alegria de todo mundo perto de mim, eu tiro a paz. Não sirvo pra nada.
Eu fiz ela infeliz.
Eu faço ela infeliz.
Eu faço meu filho infeliz.
Pra que eu sirvo afinal?
Eu não devia ter me acostumado a ser feliz, não devia ter me acostumado a não ser sozinho. Agora o castigo é maior, a tortura é maior.
Eu mereço.
Nada do que eu faço é bom.
Eu não sou bom em nada.
Eu sou um nada.
Nada.
Estou escrevendo isso na esperança de significar alguma coisa. Maldita esperança, era uma coisa que eu tinha abandonado. Eu tinha abandonado tudo.
Existir sozinho era o que me restava, já que infelizmente eu existo. Agora vou existir sozinho sabendo que estraguei a única chance que eu tinha de não ser.
Até se eu morrer vai ser de um jeito tão desprezível quanto minha vida.
Desculpe. Um dia eu acabo.
Prometo nunca mais aparecer.
Não vou te dar o desprazer de conviver comigo depois de se livrar.
Não sirvo pra nada.
Eu só quero ela feliz, e eu faço ela infeliz.
Eu só quero meu filho feliz, e eu faço ele infeliz.
Não posso olhar pra ela, não sei se devo mais. Minha existência é incômoda, eu me incomodo com ela.
Não posso encostar, ela deu uma razão. Uma ótima razão, não é da sua conta, mas não é só isso. Tem mais, não me quer perto, não quer me sentir. Nojo, ranço, asco. É inventário. Eu teria também. Não sirvo pra nada.
Eu sei quem ela quer que a admire, acaricie. O príncipe, anjo, doce, puro, o real amor.
Não quer ter meu cheiro nela, pra não espantar ele com um fedor podre. Pra que eu sirvo.
Devia acabar comigo mesmo mas não posso. Não tenho coragem pra isso, bem provável de nem isso eu conseguir fazer. Não sirvo pra nada.
Não devia ter nascido, não devia ter existido, devia ser apagado, retirado da existência.
Pra que eu sirvo? Nunca servi pra nada.
Eu só vivo no agora, porque meu passado é insignificante e meu futuro é irrelevante. Meu agora é desnecessário, eu sou desnecessário, disposable. Eu não sirvo pra nada.
Olhando o passado eu vejo o estrago que eu fiz, eu sou um buraco negro, aos poucos vou atraindo tudo pra dentro de mim e destruindo. Pra que eu sirvo?
Tudo era mais feliz antes de mim, eram só elas, unidas e felizes. Até eu chegar e aos poucos foi se acabando esses momentos. O vortex de infelicidade foi sugando tudo pouco a pouco até não sobrar nada. Que é pra que eu sirvo, nada. Não sirvo pra nada.
Tirei a alegria, tirei a paz, tirei a felicidade, tirei o propósito. Tirei tudo.
Só tirei.
Só tiro.
Nunca acrescento.
Quando foi que tudo começou a degringolar?
Quando foi que tudo começou a desmoronar?
Se eu tivesse percebido antes, poderia ter salvo?
Nem pra isso eu sirvo. Claro que eu não perceberia antes, isso seria bom demais pra um imbecil igual a mim.
Perceber.
Eu nunca percebo, eu empurro, eu destruo, eu sugo, eu altero, eu desfaço e quando faço é pra destruir. Pra que eu sirvo?
Eu sou a desgraça encarnada. Minha existência devia acabar.
Eu não aguento mais isso, por que eu sou assim? Pra que eu sou assim? Por que eu não consigo mudar?
Eu tentei, eu tento, sempre vou tentar. Por que não consigo? Por que não funciona? Pra que eu sirvo afinal? Qual meu propósito?
Algum dia alguém vai me ver como referência de algo bom? Algum dia eu vou ter algo bom pra ser referência?
Eu só queria ela feliz. Eu só queria devolver a felicidade que eu roubei dela. Eu só quero deixar ela ser feliz.
Pra que eu sirvo?
Enquanto eu existir ela não vai ser feliz. Eu só quero feliz.
Eu quero que ela seja feliz.
Eu não consigo mais fazer ela feliz.
Não existe felicidade perto de mim. Eu não sirvo pra nada.
Tudo era mais feliz antes de mim, eram só elas, unidas e felizes. Até eu chegar e aos poucos foi se acabando esses momentos. O vortex de infelicidade foi sugando tudo pouco a pouco até não sobrar nada. Que é pra que eu sirvo, nada. Não sirvo pra nada.
Tirei a alegria, tirei a paz, tirei a felicidade, tirei o propósito. Tirei tudo.
Só tirei.
Só tiro.
Nunca acrescento.
Quando foi que tudo começou a degringolar?
Quando foi que tudo começou a desmoronar?
Se eu tivesse percebido antes, poderia ter salvo?
Nem pra isso eu sirvo. Claro que eu não perceberia antes, isso seria bom demais pra um imbecil igual a mim.
Perceber.
Eu nunca percebo, eu empurro, eu destruo, eu sugo, eu altero, eu desfaço e quando faço é pra destruir. Pra que eu sirvo?
Eu sou a desgraça encarnada. Minha existência devia acabar.
Eu não aguento mais isso, por que eu sou assim? Pra que eu sou assim? Por que eu não consigo mudar?
Eu tentei, eu tento, sempre vou tentar. Por que não consigo? Por que não funciona? Pra que eu sirvo afinal? Qual meu propósito?
Algum dia alguém vai me ver como referência de algo bom? Algum dia eu vou ter algo bom pra ser referência?
Eu só queria ela feliz. Eu só queria devolver a felicidade que eu roubei dela. Eu só quero deixar ela ser feliz.
Pra que eu sirvo?
Enquanto eu existir ela não vai ser feliz. Eu só quero feliz.
Eu quero que ela seja feliz.
Eu não consigo mais fazer ela feliz.
Não existe felicidade perto de mim. Eu não sirvo pra nada.
Engraçado como as coisas são, nunca acreditei nesse lance das palavras terem poder, coisa besta, mas parece que tem um pouco. "Eu seria sua amiga" não lembro muito bem o começo mas lembro que foi um certo choque. Acabei bloqueando. Eu lembro dessa parte porque é a história da minha vida. Por isso tinha desistido, por isso devia ter continuado na desistência. O fundo do poço sempre foi meu cantinho especial no mundo, devia ter ficado lá. Pra que eu sirvo não é mesmo?
Eu lembro disso porque parece que foi um ato falho com aviso e presságio. Quase como uma carta de arrependimento com prêmio de consolação. Era não era? Não sirvo pra nada, posso culpa-la?
Isso me leva a outra resposta, (aparentemente hoje estou cheio de respostas. Sim, isso não foi escrito no mesmo dia.) a uma outra resposta de o porque eu nunca por ninguém na friendzone, porque eu estou lá. Meu propósito é afastar as pessoas, eu estou em algum lugar óbvio que ninguém vai estar mais. Eu sou mantido lá enquanto assisto todos irem embora. Pra que eu sirvo?
Depois que as cortinas se ergueram parece que me encontro no meu local de direito perante todos, o amigo/conhecido talvez até, alguém digno de pena que não colocam pra fora por consideração.
É assim que eu estou.
Pra isso que eu sirvo? Pra que eu sirvo?
Eu devia era simplesmente morrer. Faria mais sentido, seria mais útil. Pelo menos eu seria útil uma vez na vida. Não sirvo pra nada.
Eu sei que tem mais coisa escondida, nunca me diz nada. Eu sempre disse tudo, talvez esse seja o problema também. O príncipe tem medo de se expressar, que fofo, é misterioso, é secreto. Mais interessante que o sem nada a acrescentar. Eu não sirvo pra nada.
Não me importo com mais nada, minha vida é uma piada repetida. Eu ainda vou fazer todos felizes, eu tenho certeza, vou sair da vida de todo mundo, sumir, desaparecer. Pra que eu sirvo senão pra fazer o pior sempre?
Eu sou invisível pra ela, em alguns momentos ela queria ser invisível pra mim, não no sentido figurado mas no literal.
O príncipe não quer ser chamado assim, vou chamar pelo nickname que melhor o define, e ele já está acostumado, "O banana". Bananinha é melhor, B1 talvez, bananica. Bananinha é melhor mesmo.
Peço perdão a quem chegou até aqui. Não contente em estragar minha vida fui e estraguei o seu dia.
*Nota do autor: Prazer, meu alter ego. Raramente ele fala com alguém, ele nasceu da necessidade de me trazer pra realidade constantemente.
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